Carnaval: Brasil já teve que adiar a folia em anos anteriores

Carnaval: Brasil já teve que adiar a folia em anos anteriores
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Dois mil e vinte e um não é o primeiro ano em que foliões tiveram que lidar com o adiamento da festa mais popular do país. Em 1894, durante a presidência de Floriano Peixoto, o Carnaval foi transferido para o meio do ano devido aos riscos de epidemias de febre amarela e varíola. A população, no entanto, ignorou a medida e, naquele ano, houve dois carnavais.

Em 1912, a história se repetiu, com foliões se esbaldando no confete e serpentina em dois períodos. Dessa vez, o adiamento da festança se deu por causa da morte, faltando uma semana para o início da folia, do Barão do Rio Branco, então ministro das Relações Exteriores.

Rio Branco era considerado um herói nacional da diplomacia pelo trabalho à frente de conflitos com países vizinhos por terras no norte e sul do Brasil.

Movimentos pediram o adiamento da festa, tradicionais clubes carnavalescos do Rio e de outras cidades do país adiaram a folia para abril em respeito à memória do Barão.

Os foliões, no entanto, consideraram uma semana de luto por Rio Branco suficiente e não resistiram ao convite das ruas.

O historiador Luiz Antônio Simas afirma que a medida foi uma imposição do então presidente Hermes da Fonseca.

Segundo Luiz Antonio Simas, jornais de época registram, inclusive, uma marchinha que satirizava a situação.

O historiador Luiz Antonio Simas avalia que o episódio do adiamento do carnaval de 1912 não tem paralelo com a situação atual da pandemia em que o país vive.

O Barão do Rio Branco vinha de uma família influente na política do Império. Seu pai era o Visconde do Rio Branco, o primeiro-ministro de Dom Pedro II que coordenou a aprovação da Lei do Ventre Livre, de 1871.

Um dos grandes feitos do Barão do Rio Branco foi ter concluído o traçado das fronteiras do Brasil. Antes de ser ministro, apenas como diplomata, ele atuou nas arbitragens internacionais que garantiram ao país o oeste de Santa Catarina (disputado com a Argentina), em 1895, e a área que compreende o Amapá, Roraima e o norte do Pará e do Amazonas (disputada com a França), em 1900.

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