Desobstruções dos corixos serão feitas para restabelecer o fluxo da água para a Baía de Chacororé em MT | Mato Grosso

Desobstruções dos corixos serão feitas para restabelecer o fluxo da água para a Baía de Chacororé em MT | Mato Grosso
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As secretarias estaduais de Meio Ambiente (Sema) e Infraestrutura (Sinfra), Assembleia Legislativa e Ministério Público definiram, em conjunto, ações para restabelecer o fluxo da água para a Baía de Chacororé, em Barão de Melgaço. As instituições definiram que, em caráter emergencial, já serão feitas as desobstruções dos corixos que cruzam a estrada vicinal do Estirão Comprido, que é de responsabilidade do município.

As medidas emergenciais incluem a desobstrução de quatro pontos de passagem de água e limpeza de canal do rio Chacororé e desobstrução dos corixos Manoel Domingos e Lueggi. De acordo com vistoria feita pela Sema e Sinfra, os desvios construídos ao longo da rodovia Estirão Comprido para reforma das pontes estão interrompendo o fluxo de água.

Além das ações emergenciais, que devem ter início já nos próximos dias, o grupo também definiu, durante reunião realizada nessa segunda (25), que em 10 dias vai apresentar um plano de ação com as medidas a serem tomadas em médio e longo prazo.

“A médio prazo vamos realizar um estudo em todos os corixos às margens do rio Cuiabá para verificar se foram construídos diques e quais os impactos que a remoção dessas estruturas terá no fluxo de água e nas comunidades do entorno. A longo prazo, vamos estudar a desobstrução do córrego Cupim que abastece o banhado a partir da Serra de São Vicente”, detalha o secretário Adjunto Executivo da Sema, Alex Marega. Os estudos também terão apoio do Juizado Volante Ambiental (Juvam).

O promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel explica que também ficou equacionado que os estudos irão abordar o aspecto humano, além dos técnicos, por meio de consultas às comunidades tradicionais que habitam a região.

Duas décadas de monitoramento

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Visita Técnica na Baia de Chacororé — Foto: Marcos Vergueiro/ Secom-MT

Visita Técnica na Baia de Chacororé — Foto: Marcos Vergueiro/ Secom-MT

O nível e a qualidade da água da Baía de Chacororé são monitorados pela Sema desde 1999. De acordo com o analista de meio ambiente, Rafael Teodoro de Melo, à época foi construída uma barragem submersível no corixo do Mato para manter o nível da água da Baía de Chacororé, o mesmo tipo de estrutura foi feita no corixo Tarumã para assegurar o nível de Siá Mariana. O corixo do Mato liga as duas baías, já o Tarumã conecta Siá Mariana ao rio Cuiabá.

A contenção feita com pedras e terra tem cerca de 2,5 metros de altura e além de controlar o fluxo, melhora a qualidade da água.

Em 2010, a barragem do corixo do Mato foi destruída por ação humana e precisou ser refeita. Já em 2020, novas avarias foram encontradas e a própria comunidade recompôs a barreira.

Os corixos são corpos hídricos que levam água, nutrientes e ovas e peixes nos dois sentidos: na enchente leva água dos rios para a baía e na vazante a água e os peixes são levados de volta para o rio. Já um rio corre apenas em um sentido a partir de sua nascente.

A baía de Chacororé é abastecida a montante, parte alta, pelos rios Cupim e Água Branca que descem da região da Serra de São Vicente, já a parte baixa da baía é abastecida pelos corixos que ligam o banhado ao rio Cuiabá e pelo rio Chacororé.

Na cheia, o complexo de baías de Chacororé chega a 45 mil hectares de lâmina de água, a partir da união com Siá Mariana e Lago de Mimoso. Já na época da estiagem, a baía Chacororé ocupa uma área de 11 mil hectares.

O Noroeste
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