A Ford e o Befiex – 26/01/2021 – Antonio Delfim Netto

A Ford e o Befiex – 26/01/2021 – Antonio Delfim Netto
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Depois de décadas, a Ford decidiu sair do Brasil. É uma notícia triste, com um ar de melancolia. Alguns jornalistas lamentaram a saída, mas lembraram os subsídios que a empresa recebeu. Não mencionaram que alguns destes, em geral concedidos a todas as empresas de um setor, foram necessários para compensar o “custo Brasil”: emaranhado de tributos, insegurança jurídica, ambiente ruim de negócios, infraestrutura deficiente e burocracia excessivamente lenta.

Mas o desenho do subsídio importa. No início dos anos 70, o grupo Ford-Philco propôs que o país participasse da produção do “carro mundial”. A ideia era fabricar partes dos veículos em países de menor custo para depois fazer a montagem final no local mais vantajoso. Esse modelo de fragmentação da produção evoluiu muito nas últimas décadas, dando forma às cadeias globais de valor que atualmente ocupam enorme espaço na produção e no comércio global.

O projeto incluía uma fábrica nova de motor, destinado parte ao mercado local e parte para exportação, e uma fábrica nova de autorrádios totalmente para o mercado externo.

O objetivo do grupo era exportar em larga escala. Dispôs-se a assumir um compromisso de dez anos de exportação desde que o país garantisse os incentivos fiscais vigentes. Duas condições foram

impostas pelo governo:

1) o valor dos bens importados anualmente com isenção de tributos (máquinas, equipamentos, aparelhos, ferramentas e produtos intermediários) não poderia ser superior a um terço do valor líquido da média anual da exportação de produtos manufaturados; e 2) os bens importados sob isenções do programa, somados às importações sob regime de “drawback” ou outro regime especial não poderiam ultrapassar

50% do valor total exportado.

Essa era a estrutura do Befiex (Programa Especial de Exportação). O país visava, além do fortalecimento do balanço de pagamentos, dar um salto qualitativo na sua pauta de exportação, até então dominada pelo café, têxteis, calçados e mobiliário. A negociação do acordo foi longa e difícil. O presidente Lee Iacocca esteve várias vezes no Brasil. Na formalização do compromisso compareceu o “chairman”, Henry Ford 4º.


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