Usuários nostálgicos voltam ao ICQ depois de mudanças no WhatsApp – 26/01/2021 – Tec

Usuários nostálgicos voltam ao ICQ depois de mudanças no WhatsApp – 26/01/2021 – Tec
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Usuários do WhatsApp em todo o mundo que se preocupam com a alteração nas regras da empresa quanto à privacidade de dados estão migrando para apps de mensagens concorrentes como o Signal e o Telegram.

Em Hong Kong, alguns deles estão escolhendo uma alternativa que os faz recordar a infância –uma era anterior aos algoritmos, big tech e desinformação viral.

O ICQ foi um serviço pioneiro de mensagens na internet, na metade da década de 1990, usado nos PCs grandalhões e com as conexões discadas daquele período. Foi precursor do AOL Instant Messenger e a última vez que esteve na onda foi quando a série de TV “Friends” estava no auge e PalmPilots eram tecnologia de ponta.

Ao longo dos anos, o serviço foi modernizado, e agora é um app para smartphones. Recentemente, seu número de downloads disparou nas lojas de apps, com 3.500% de alta nos sete dias até 12 de janeiro.

“O app me traz memórias da infância”, disse Anthony Wong, 30, consultor de risco que usava ICQ na época do ensino médio. Desde que baixou o ICQ, ele já se conectou a mais de duas dúzias de amigos na plataforma, alguns dos quais estavam irritados com uma atualização das regras de privacidade do WhatsApp, anunciada este mês, que permitiria que alguns dados sobre os usuários fossem armazenados nos servidores do Facebook, a empresa que controla o serviço de mensagens.

Alguns usuários se incomodaram com o que entendem como um esforço do Facebook para se acomodar com a China. O WhatsApp, que tem cerca de dois bilhões de usuários, afirma não ter acesso ao conteúdo de mensagens privadas e que as mudanças planejadas em suas regras de privacidade se aplicam apenas a usuários empresariais.

O app do ICQ não necessariamente satisfaz as preocupações dos usuários com relação à privacidade. As mensagens são criptografadas, mas o app é controlado por uma companhia da Rússia, onde o governo exerce controle firme sobre as empresas de tecnologia.

Uma porta-voz do ICQ afirmou que as mensagens de usuários “não são compartilhadas com qualquer outra parte”, exceto por ordem judicial.

Para os usuários de Hong Kong que readotaram o aplicativo, uma mudança gerada por preocupações sobre privacidade terminou por se converter em um exercício de nostalgia pela época em que a tecnologia era um passatempo divertido para a garotada mais antenada.

Muito antes das mensagens de texto, o ICQ –um acrônimo cuja pronúncia em inglês forma a expressão “eu procuro você”– permitia que usuários de computadores se comunicassem com seus amigos, do outro lado da rua ou do outro lado do mundo.

Ainda que a ideia de mensagens “instantâneas” fosse relativa, naquela época, Wong se lembra de o quanto demorava trocar arquivos de música com os amigos. “Fazer o download de uma música demorava a vida toda”, ele afirmou.

Alguns dias atrás, Alvis Sio e seus amigos estavam conversando sobre como substituir o WhatsApp. “Por que não voltamos ao ICQ?”, um deles sugeriu. Para Sio, voltar a uma relíquia dos dias passados da informática era como retornar a uma era menos complicada.

“Na época do ICQ, era preciso que as duas pessoas estivessem em seus computadores para trocar mensagens”, disse Sio, 30, que é aluna de pós-graduação e costumava usar o serviço no começo de sua adolescência. Ela disse que a complicada sequência necessária para ligar o computador, acessar a internet, procurar os amigos e iniciar um chat era como que um ritual.

A Mirabilis, sediada em Tel Aviv, lançou o ICQ em 1996, e ele foi um dos primeiros programas de mensagens instantâneas a ganhar popularidade mundial. A America Online adquiriu a companhia dois anos mais tarde por US$ 287 milhões (R$ 1,5 bilhão), e por volta da virada do milênio o ICQ contava com cerca de 100 milhões de usuários.

A empresa russa de internet hoje chamada Mail.Ru Group adquiriu o ICQ da AOL em 2010, e desde então vem expandindo as capacidades, do serviço original baseado em computadores, fazendo dele um app para smartphones com recursos de conversa coletiva em vídeo, mensagens de áudio e mais. A porta-voz do ICQ se recusou a informar o total de usuários do serviço, mas disse que ele era mais popular em países como Rússia, Nigéria e Alemanha. O Mail.Ru Group também é dono da VK, ou VKontakte, a rede social mais popular da Rússia.

A porta-voz informou que os downloads em Hong Kong durante uma semana no começo de janeiro superaram os de todo o quarto trimestre do ano passado. Na semana encerrada em 12 de janeiro, o número de downloads disparou para sete mil, ante apenas 200 uma semana antes, de acordo com a Sensor Tower, uma empresa de San Francisco, na Califórnia, que acompanha as estatísticas do mercado de aplicativos. As buscas por “ICQ” no Google subiram a um patamar que não era visto há uma década, mostram dados do Google Trends.

Vicky Choi, 38, e seu marido, Jay Pang, 38, usavam o ICQ na adolescência –ainda que na época namorassem com outras pessoas. Choi escreveu uma mensagem para o marido recentemente na plataforma, sua primeira em mais de duas décadas. “Oi”, respondeu Pang imediatamente, “depois de tantas décadas”.

Pang trabalha na equipe de terra de uma companhia de aviação, e disse que sua lista de contatos havia ficado “congelada no tempo”, com atualizações de status de 20 anos atrás. Uma dessas atualizações diz “vou encontrar meu caminho”, uma afirmação enigmática invocando a estética da angustiada música “emo”, popular no rock daquela época.

Ele disse ter ajudado quatro ou cinco amigos a localizar seus velhos números –ele ainda os tinha na sua velha lista de contatos– e voltar à rede.

Alguns dos elementos clássicos do ICQ continuam, como o som de notificação original. Um dos recursos que foi abandonado é o de “chats aleatórios”, nos quais a plataforma estabelecia contato entre usuários desconhecidos em diversos cantos do planeta.

“Sempre havia alguém com quem conversar”, disse Pang, que disse que ocasionalmente se conectava com desconhecidos em lugares como Taiwan, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio.

Choi disse que sente falta de outros dos recursos eliminados, o chamado “modo invisível”, que permitia que usuários se mantivessem conectados sem que outras pessoas soubessem que eles estavam online. “Quando meu chefe me manda uma mensagem de texto e não quero responder na hora, sinto falta do modo invisível”, ela disse.

Um obstáculo para os usuários que tentam reativar suas velhas contas é que é difícil lembrar senhas usadas décadas atrás.

Joyce Lai, 30, instrutora de exercícios aeróbicos, tentou voltar ao ICQ recentemente. Ela tinha guardado na memória o número do ICQ que usava quando estava na quarta série, mas não consegue se conectar porque esqueceu a senha.

“Tentei todas as misturas possíveis de aniversários e telefones de ex-namorados, mas nenhuma funcionou”, disse Lai.

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